01/12/12

Se o mundo não acabar.

A verdade é que falta um mês para o ano novo. É, já estou a pensar nesse assunto, talvez porque nem tenho sentido os meses a passar por mim. E outra verdade é que tenho medo. Tenho medo de estar no meio duma pista de dança numa quinta algures pelo norte, ou numa casa rodeada por pessoas de quem eu gosto, e me sentir vazia, tenho medo que o meu sorriso no momento da transição não seja tão verdadeiro como tem sido, tenho medo de me aperceber que este ano não valeu a pena. Tenho medo que a minha memória me mostre momentos menos bons e que esses empatem os perfeitos. Porque apesar de eu ter mudado, tem algo que fica sempre intacto: as cicatrizes. Elas não desaparecem, né? Por mais que a gente passe creme gordo. Por mais que já não sangrem. É inevitável que nós nos lembremos de vez em quando do porquê de elas estarem aqui. É normal que olhemos pra elas e vejamos com que facada foram feitas. Todas elas contam uma história e o pior é que só nós a sabemos ler. Se ao menos alguém conseguisse ler em voz alta para nós ouvirmos e sentirmos que pela primeira vez não lhe pertencemos, mas não... nem nós conseguimos pronunciá-la para o mundo ouvir, porque sempre falhará um pormenor que o choque nos obrigou a esquecer. Por mais que a gente tente contrariar a lei da vida, alguma coisa sempre faz falta. E hoje com uma certeza adormeço, que eu não tenho tudo o que preciso, mas amo tudo o que tenho. Talvez isso me encha a alma no último segundo de 2012, que tão bom foi para mim como de tão mau conseguiu ser. 



com todo o meu coração , bé

Sem comentários:

Enviar um comentário